Algum tempo depois, conseguimos reunir algumas imagens que guardamos em vídeo.
A qualidade não é das melhores, pois gravamos de forma precária, mas espero que gostem.
Agradecimentos ao amigo Rodrigo Queiroz pela ajuda na edição.
Algum tempo depois, conseguimos reunir algumas imagens que guardamos em vídeo.
A qualidade não é das melhores, pois gravamos de forma precária, mas espero que gostem.
Agradecimentos ao amigo Rodrigo Queiroz pela ajuda na edição.
8300 quilômetros depois, está concluída a aventura. E que aventura!
Vale registrar que, exceto em Calama, no Chile, fomos muito bem tratados. Todos sempre foram muito amáveis, solícitos e dispostos a ajudar.
Até a polícia argentina, da qual tínhamos receio devido a relatos que havíamos lido anteriormente, nos surpreendeu. Os comentários são que eles são corruptos, inventando problemas que não existem para extorquir estrangeiros. Passamos por vários postos da polícia caminera, mas mandaram seguir viagem sem incomodar.
A todo momento era possível observar a hospitalidade por onde passávamos. Pessoas acenando, motoristas piscando os faróis dos seus carros, caminhoneiros buzinando.
É latente a empolgação que uma viagem de moto causa nas pessoas.
Igualmente gratificante foi ver crianças curiosas se aproximando, por vezes tímidas, mas depois rindo com as brincadeiras de pessoas que diziam “bom dia” e não “buenos días”.
E de lavar a alma o contato com pessoas do mundo todo em San Pedro de Atacama, a Babilônia Chilena, como chamavam alguns guias locais.
Pode até parecer mais um clichê de viajante mas, com toda a sinceridade, acho que todo motociclista (ou qualquer um, por que não?) que goste de viagens deveria passar pela experiência ao menos uma vez na vida.
A sensação de encarar o desconhecido e o novo, passar por situações climáticas adversas, entre tantas outras, são motivadores poderosos para continuar a fazê-lo sempre.
Até a próxima … Assim esperamos !
Fotos ao final texto (clique para ampliar)
Iniciei a volta a Brasília numa manhã de segunda-feira. Passei por uma barreira do Exército no primeiro pedágio da rodovia saindo de Foz do Iguaçu. Estavam parando todos os carros. Me pararam rapidinho, perguntaram de onde eu vinha e liberaram.
Parei um pouco mais à frente para ligar o Ipod no comunicador Scala Rider que a Fernanda tinha me emprestado. Não sabia que a coisa era tão legal assim! Parece que você está ouvindo música dentro de um carro fechado. “Taquei” logo um AC/DC para iniciar os trabalhos.
Em Campo Mourão, encontrei um grupo de motociclistas de um motoclube chamado Viralatas, de Ponta Grossa-PR. Estavam voltando de Bonito, em Mato Grosso do Sul. Um deles me ajudou a lubrificar a corrente da FZ6. Conversamos por um tempo e, como de praxe, trocamos contatos.
Segui para Maringá, onde peguei um engarrafamento embaixo de um sol esturricante. Agora sim eu sentia que estava de volta ao clima tropical. Fui lembrado disso de uma forma não muito agradável!
Já em São Paulo, cheguei em Presidente Prudente por volta de 18h. Iria pernoitar por lá, mas resolvi seguir até São José do Rio Preto, a 280 km. Foi uma boa decisão, pois a estrada nesse trecho é perfeita e bem sinalizada, com a maior parte composta de retas, o que favoreceu a pilotagem à noite.
Já no hotel, tirei o protetor de coluna e senti as costas queimando. Acho que houve alguma reação alérgica entre as costas e a camisa ou o protetor de coluna. O aspecto era de uma queimadura.
Também senti uma dor na articulação do dedo indicador direito. Olhando com mais cuidado, vi que tinha surgido um pequeno caroço no local. Desconfio que seja uma inflamação causada pelo uso continuado da embreagem da FZ6, que é dura como pedra.
De qualquer forma, o incômodo não era tanto ao ponto de impedir que eu continuasse a viagem. Afinal, faltavam “apenas” 700km para chegar em casa.
O trecho S. J. do Rio Preto – Brasília transcorreu “sem alterações”. Cheguei em casa por volta de 19h.
Hora de descansar !
Fotos ao final texto (clique para ampliar)
Como não poderia deixar de ser, eu e Fernanda acordamos cedo para uma volta em Ciudad del Este e para vermos se dava comprar alguma coisinha, afinal ninguém é de ferro. Como era sexta-feira, a travessia da ponte parecia um formigueiro.
Compramos alguns souvenirs e voltamos rapidamente para Foz, pois precisávamos levar as motos para a troca de óleo.
E, por falar nisso, foi hilário ver a Fernanda perguntando ao setor de serviços da Honda:
- Vocês poderiam trocar o óleo de uma Yamaha FZ6 também?
Breve silêncio, e o funcionário respondeu que “tudo bem”. Lembrei da propaganda:
Troca de óleo: 60 reais
Ver sua Yamaha dentro da oficina da Honda: Não tem preço (risos).
Brincadeiras à parte, devemos agradecimentos ao pessoal da Motec Honda pela atenção que tiveram conosco.
Durante a troca de óleo, um dos mecânicos percebeu que uma das mangueiras de respiro da FZ6 estava cortada pois, de alguma forma, ficou em contato com a corrente e se dilacerou. Quando ele me chamou para olhar, já fiquei preocupado. Mas como é uma mangueira de respiro, não afetaria o restante da viagem.
O Bruno enviou mensagem dizendo que já estava em Passo Fundo. Fernanda fez alguns contatos e o ajudou a conseguir uma loja para trocar os pneus da sua ER6 na cidade.
À noite, demos uma passada pela segunda vez em um restaurante árabe que fica perto do hotel. Nos enpanturramos de esfirras e quibes. Muito bom.
Este seria o último dia de viagem junto com a Fernanda, que iria prosseguir viagem sozinha até Londrina, já que tinha mais dias de férias.
Acordei cedo no dia seguinte para me despedir da Fernanda. A aventura está chegando ao seu fim e, a partir de agora, segue de forma solitária.
Resolvi ficar mais tempo em Foz do Iguaçu, dar uma passada em Ciudad del Este para comprar uma câmera que estava de olho há algum tempo, e depois visitar as Cataratas do Iguaçu.
Deixei a moto no hotel e fui à Ciudad del Este. À tarde, eu iria às Cataratas do Iguaçu no lado brasileiro.
Quando cheguei ao hotel à tarde, desisti da idéia. Caiu uma chuva violenta que durou quase o resto do dia. Aliás, fazia um bom tempo que eu não via chuva. Deixei as cataratas para o dia seguinte.
No outro dia, após almoçar e dar uma voltinha de moto pela cidade, peguei o caminho das Cataratas. Percorre-se um caminho de uns 20 km a partir do centro da cidade até a entrada do Parque Nacional. De lá, embarquei em um ônibus do próprio parque que deixa os visitantes no início da trilha propriamente dita.
Fui pedir a umas alemãs para que tirassem uma fotografia minha, tudo em português. Não entenderam nada. Nessa hora percebi a quantidade de estrangeiros que estavam no ônibus comigo. Brasileiros eram minoria, pelo menos na hora que visitei. Acabamos nos entendendo em inglês. Elas estavam viajando a América do Sul numa viagem “mochilão” e se empolgaram quando disse que estava fazendo o mesmo de moto. Trocamos algumas informações e seguimos para a trilha das Cataratas.
Como tinha visto apenas em fotos e vídeos, fiquei impressionado com o volume de água que despenca. No final do passeio, há um elevador panorâmico que sobe rente a uma das quedas d’água e dá uma noção da grandiosidade da coisa. Antes, me aventurei no caminho que leva a uma parte chamada Garganta do Diabo. Voltei todo molhado, pois a gente chega bem perto da queda.
Dizem que o lado argentino é mais bonito ainda, mas iria ficar para uma próxima oportunidade, pois no dia seguinte teria que iniciar a volta para Brasília.